Avalanche de gelo destrói fronteira entre Nepal e Tibete, matando 392 e deixando 1,4 mil desaparecidos
Avalanche de gelo de 600 metros de largura na fronteira entre Nepal e Tibete causou 392 mortes e mais de 1,4 mil desaparecidos. A destruição incluiu a destruição de dezenas de pontes e danos a 40 km de estradas. Governos nepalês e chinês mobilizaram equipes de resgate e organizações humanitárias.
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Imagens aéreas mostram a dimensão da destruição provocada pela enxurrada de lama e detritos que atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território ocupado pela China, na quarta-feira. O desastre deixou ao menos 389 mortos no Nepal e três no lado chinês, além de cerca de 1,4 mil desaparecidos nos dois países. A tragédia é considerada uma das mais graves registradas no Nepal desde o terremoto de 2015. Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países A força da correnteza destruiu dezenas de pontes e danificou quase 40 quilômetros de estradas pavimentadas, segundo autoridades nepalesas. Mais de 24 horas depois do desastre, a água ainda não havia recuado completamente em algumas áreas. Vilarejos, vias e outras estruturas ficaram cobertos por uma espessa camada de lama escura. Imagens aéreas revelam rastro de destruição após deslizamento no Himalaia Infoglobo A destruição atingiu áreas de difícil acesso, em meio ao terreno montanhoso do Himalaia. Segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês), as condições complicam a chegada de equipes e suprimentos às comunidades afetadas. — Nesses vales montanhosos e íngremes, estradas e pontes são conexões fundamentais para comunidades remotas — afirmou Gordon Wilcock, diretor regional para a Ásia-Pacífico da organização humanitária Direct Relief. Buscas: Esforços de resgate em Tibete e Nepal avançam sob risco de novos enchentes e deslizamentos de terra na região Contexto: inundações causadas por avalanche deixam mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e a China; vídeos A entidade fornece suprimentos médicos, mochilas de emergência e itens de higiene às áreas atingidas pelas enchentes. — O terreno montanhoso é uma barreira real para a entrega diária de suprimentos de emergência. Os impactos das enchentes tornam isso ainda mais difícil — disse Wilcock. Resgate em meio à lama Equipes de emergência avançam nesta quinta-feira pelas áreas atingidas em busca de sobreviventes e desaparecidos. O trabalho é dificultado pela destruição de pontes e estradas e pelo risco de novos deslizamentos e enchentes na região. Entre os desaparecidos estão pelo menos 540 turistas estrangeiros. Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, 31 viajantes já foram localizados, entre eles dois americanos, dois russos, 11 indianos, quatro sul-coreanos e dois italianos. Vídeo: trabalhadores correm para escapar de 'tsunami de lama' de até 15 metros no Nepal O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, visitou nesta quinta-feira algumas das áreas mais afetadas e orientou autoridades locais a prestar socorro imediato às famílias desabrigadas e liberar as estradas bloqueadas. Na China, o primeiro-ministro Li Qiang foi ao Tibete para acompanhar as operações e visitar socorristas e moradores afetados. No lado chinês, quase 800 trabalhadores de emergência foram mobilizados, além de cães farejadores e lanchas rápidas, segundo a agência estatal Xinhua. A Federação Internacional da Cruz Vermelha também anunciou o envio de cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres. O que provocou a enxurrada? Análises preliminares de dados sísmicos e de satélite, além de vídeos registrados no momento do desastre, indicam que uma enorme massa de gelo se desprendeu de uma geleira e desabou pela encosta. O impacto gerou ondas sísmicas equivalentes às de um terremoto de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O desprendimento pode ter bloqueado temporariamente o rio Lhende Khola, fazendo com que a água se acumulasse rapidamente antes de romper a barreira e avançar pelo vale. — O que certamente confirmamos é que houve uma grande avalanche de gelo, provavelmente uma mistura de gelo e rocha, que se desprendeu, tornou-se fluida e depois se transformou nesta enchente devastadora — afirmou Simon Allen, pesquisador associado da Universidade de Zurique que estuda riscos glaciais no Himalaia. Geleiras derretendo: Desastre na fronteira do Nepal e Tibete acende alerta sobre os riscos de um Himalaia em transformação Segundo especialistas, um bloco de gelo de aproximadamente 600 metros de largura se desprendeu repentinamente da geleira na quarta-feira. A massa teria despencado cerca de 1.200 metros, a partir de uma altitude de aproximadamente 5.200 metros, carregando gelo, água e sedimentos para o fundo do vale. O glaciologista Simon Cook, da Universidade de Dundee, na Escócia, que também participou da análise das imagens de satélite, explicou que a combinação entre a enorme massa de gelo e a altura da queda produziu uma quantidade gigantesca de energia. — É um enorme bloco de gelo armazenado em uma região elevada da montanha, com uma quantidade gigantesca de energia potencial — afirmou Cook. Bloco de gelo com 600 metros de largura que despencou de geleira pode ser causa de inundações no Nepal e no Tibete, dizem cientistas À medida que a massa desce pela encosta, a força do impacto pulveriza o gelo e o mistura com água e rochas, criando uma corrente capaz de avançar rapidamente pelo vale. O episódio também chama atenção para os riscos associados ao derretimento das geleiras no Himalaia, uma das regiões do planeta que mais aquecem. Segundo pesquisadores, o recuo do gelo pode criar novas condições para que avalanches e outros fenômenos provoquem o deslocamento repentino de grandes volumes de água. (Com New York Times, Bloomberg e AFP)
Em um momento, a imponente passagem de fronteira parece tranquila. No seguinte, pessoas correm para salvar suas vidas enquanto as águas barrentas da inundação descem, destruindo vilarejos, pontes e outras estruturas da região. Cientistas apontaram o colapso de uma geleira como a causa da devastadora enchente relâmpago que matou pelo menos 389 pessoas no Nepal e outras três no Tibete, território ocupado pela China, e deixou mais de 1,4 mil desaparecidas nos dois locais, numa região montanhosa cada vez mais ameaçada pelos efeitos das mudanças climáticas causadas pelo homem. Geleiras derretendo: Desastre na fronteira do Nepal e Tibete acende alerta sobre os riscos de um Himalaia em transformação Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Avaliações iniciais baseadas em dados sísmicos e de satélite, bem como em vídeos do evento, indicam que uma seção muito grande de uma geleira se desprendeu e desabou. Isso, por sua vez, causou ondas sísmicas equivalentes a um terremoto de magnitude 5,2, disse o Serviço Geológico dos Estados Unidos ainda na quarta-feira. O gelo da geleira pode ter bloqueado o rio Lhende Khola, fazendo com que a água se acumulasse rapidamente e, depois, transbordasse rio abaixo. — O que certamente confirmamos é que houve uma grande avalanche de gelo, provavelmente uma mistura de gelo e rocha, que se desprendeu, tornou-se fluida e depois se transformou nesta enchente devastadora — disse Simon Allen, pesquisador associado da Universidade de Zurique que estuda riscos glaciais no Himalaia. Inundações deixam mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e a China Equipes de resgate avançam pela lama nesta quinta-feira em busca das cerca de 1,4 mil pessoas desaparecidas após o fenômeno, incluindo pelo menos 540 turistas estrangeiros, e especialistas alertaram para o risco de novas enchentes na região. Segundo o Conselho de Turismo nepalês, 31 viajantes foram localizados, incluindo dois americanos, dois russos, 11 indianos, quatro sul-coreanos e dois italianos. O primeiro-ministro Balendra Shah, que pediu para a nação do Himalaia “se unir” poucas horas após o desastre, visitou algumas das áreas mais afetadas nesta quinta-feira. Ele orientou as autoridades locais a “fornecerem socorro imediato às famílias desabrigadas” e a liberarem as estradas bloqueadas. Já o premier chinês, Li Qiang, visitou o Tibete para supervisionar o trabalho e “visitar socorristas e pessoas afetadas”. Buscas: Esforços de resgate em Tibete e Nepal avançam sob risco de novos enchentes e deslizamentos de terra na região Autoridades do governo chinês no Tibete mobilizaram quase 800 trabalhadores de emergência, além de cães farejadores e lanchas rápidas para ajudar nos esforços de resgate, informou a agência de notícias Xinhua. A Federação da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, por sua vez, disse estar enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres. Região vulnerável O Nepal é particularmente vulnerável a enchentes relâmpago devido ao seu terreno montanhoso e às suas geleiras em rápido derretimento. Tais eventos estão se tornando mais frequentes à medida que o aquecimento global acelera o degelo no Himalaia, área que abriga mais neve e gelo do que qualquer outro lugar na Terra, exceto o Ártico e a Antártida. O fenômeno gera um efeito cascata — de deslizamentos de terra à escassez de água — para quase 2 bilhões de pessoas. A região de alta altitude está aquecendo quase duas vezes mais rápido que a média global, com temperaturas mais altas levando a um rápido recuo glacial. Geleiras em todo o planeta vêm encolhendo a cada ano há mais de três décadas, de acordo com o Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras. A recente aceleração na perda de gelo não deixa dúvidas de que o aquecimento global causado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa na atmosfera é uma das causas principais, segundo pesquisadores apoiados pela ONU. Primeiro desafio: Quem é o jovem ex-rapper que virou premier do Nepal há cinco meses e enfrenta as enchentes devastadoras O incidente de quarta segue um padrão de eventos semelhantes que atingiram a região do Himalaia nos últimos anos, incluindo um deslizamento de terra que desencadeou uma enchente em Chamoli, na Índia, em 2021, deixando cerca de 200 pessoas mortas ou desaparecidas. Embora os registros na região não retrocedam o suficiente para afirmar com certeza estatística se avalanches de gelo estão se tornando mais frequentes, os pesquisadores afirmam que esse é o padrão observado. — Este parece ser o maior desastre no Himalaia que já vimos — disse Allen. — Então, eu realmente espero que este seja um ponto de virada, e que haja mais foco e mais ênfase agora em reduzir os riscos para essas comunidades. (Com New York Times, Bloomberg e AFP)