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Flávio Bolsonaro lidera Lula no primeiro turno, redefinindo estratégias e alianças políticas

Flávio Bolsonaro (PL) lidera Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial com 47,27% dos votos, contra 44,88% de Lula, segundo dados do jornal Globo. A campanha de Lula reorganiza suas estratégias, focando em temas como custo de vida e a aprovação da PEC para fim da escala 6x1, enquanto Flávio busca alianças com candidatos derrotados e fortalece presença no Nordeste.

Com 98,62% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,27% dos votos, contra 44,88% de Lula (PT), segundo o Globo. A vantagem inesperada de Flávio surpreendeu a campanha de Lula, que agora reorganiza suas estratégias, incluindo ataques mais diretos ao adversário e foco em temas como custo de vida. A campanha de Lula também busca aprovação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1, visando uma agenda positiva no segundo turno.

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IndependentGloboOct 5, 04:05 AM
Flávio tenta atrair apoio de candidatos derrotados, conta com Tarcísio e vai ampliar presença no Nordeste contra Lula no segundo turno

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), busca o apoio de concorrentes que foram derrotados na primeira etapa, vai reforçar a presença no Nordeste e conta com a atuação mais frequente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já reeleito, na segunda etapa da disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio passou para o segundo turno à frente de Lula. Com 97,84% das urnas apuradas, o senador tinha 47,37% dos votos, enquanto o atual presidente ficou com 44,76%. O senador espera o apoio dos candidatos do PSD, Ronaldo Caiado, do Novo, Romeu Zema, e do Avante, Augusto Curty. Lula, por sua vez, tenta neutralizar parte do movimento e vai tentar conter um apoio em bloco do PSD. Essa frente de negociação partidária envolve a negociação com partidos que hesitaram a aderir à candidatura de Flávio no primeiro turno, como União Brasil, PP e Republicanos. A coordenação política já vinha se movimentando para conversar com caciques do Centrão, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, e Antonio Rueda, que comanda o União Brasil. Esses dirigentes são próximos de Flávio, mas liberaram os integrantes dos partidos para as composições que se encaixassem melhor nos planos estaduais. Outro foco da segunda etapa será o Nordeste, região onde Flávio enfrenta sua principal desvantagem em relação a Lula. Integrantes da campanha avaliam que será necessário intensificar as agendas pelos estados da região e tentar reduzir a vantagem do petista. A campanha também pretende explorar o cenário de São Paulo. Com Tarcísio eleito no primeiro turno, Flávio terá no governador um importante aliado para a disputa presidencial no maior colégio eleitoral do país, embora ele não tenha se engajado tanto durante o primeiro turno. Com a definição da eleição estadual, Tarcísio também ficará livre para concentrar esforços na campanha nacional, avalia a campanha. A outra frente é o eleitorado dos candidatos derrotados no primeiro turno. Nas semanas que antecederam a votação, Flávio insistiu no discurso de “voto útil” e pediu que eleitores de candidatos de centro e de direita migrassem para sua candidatura para evitar uma segunda etapa. O movimento aconteceu em parte, e a campanha agora vai reforçar o discurso antiLula para atrair o restante desse eleitorado. A equipe, porém, não considera que declarações de apoio produzam uma transferência automática de votos. Eventuais manifestações de candidatos como Cury, Zema e Caiado, por exemplo, podem dar força política à candidatura, mas a avaliação interna é que apenas uma parcela de seus eleitores necessariamente acompanhará a orientação. Mesmo assim, todo voto é considerado importante diante de uma eleição acirrada como a deste ano. A campanha também vê espaço para negociações políticas com esses grupos. O apoio no segundo turno pode envolver conversas sobre participação em um eventual governo e a distribuição de espaço político, além da construção de novos palanques estaduais. Renan Santos, do Missão, está fora das contas da campanha, já que o candidato fez críticas duras a Flávio durante o primeiro turno e não é considerado um potencial aliado. Em relação ao grupo de Caiado, há expectativa menor, embora não esteja descartado. Aliados de Flávio avaliam que Gilberto Kassab, presidente do PSD e vice na chapa de Caiado, tem maior proximidade política com Lula. Kassab, até agora, não definiu publicamente seu posicionamento.

IndependentGloboOct 5, 03:58 AM
Vantagem de Flávio no primeiro turno deve provocar reviravolta na campanha de Lula por virada inédita

A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, contrariando as pesquisas divulgadas na véspera, surpreendeu a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 98,62% das urnas apuradas, Flávio tem 47,27% votos e Lula 44,88%. O resultado deve dar força para uma ala do governo e do PT que vinha criticando as estratégias adotadas até então e pressionava por mudanças radicais na comunicação da campanha. Além disso, aliados do petista pretendem redobrar a pressão para que o Senado aprove a Proposta de Emendas à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1, em busca de uma agenda positiva no segundo turno. O grupo que defende uma mudança aposta em um acirramento nos ataques ao adversário e a adoção de temas de fácil compreensão da população, como o custo de vida. Há críticas ao espaço dado para falar de temas como exploração de terras raras e de soberania nacional, por exemplo, além do clima festivo da campanha frente a uma disputa que no primeiro turno se desenhou tão acirrada com Flávio. Em conversas reservadas ao longo da semana passada, membros do governo consideravam essencial que Lula ficasse na frente no primeiro turno. A avaliação já era que que reverter o quadro de vantagem de Flávio seria muito difícil. Desde a redemocratização, nunca houve uma virada nas eleições presidenciais do primeiro para o segundo turno. A campanha já havia convocado políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e aos governos estaduais para uma reunião com o petista nesta segunda-feira para discutir o rumo da candidatura no segundo turno. A expectativa é que o encontro ocorra no período da tarde, em Brasília. Também deverão comparecer representantes dos partidos da base aliada de Lula, além do próprio presidente. Também está nas prioridades da candidatura buscar a manutenção da neutralidade de partidos do chamado Centrão, evitando que eles apoiem o nome de Flávio. O cenário, no entanto, é considerado improvável, ainda mais após o resultado das urnas neste domingo. A avaliação de cardeais dessas siglas é que Lula deixou de ser favorito nas eleições e a expectativa de poder migrou para Flávio. Apesar disso, aliados do presidente falam em buscar acordos com lideranças desses partidos nos estados, citando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e políticos de siglas de PSD e MDB, sobretudo no Nordeste. A federação União-PP e o Republicanos anunciaram que terão reuniões no começo desta semana para definir qual será o posicionamento das siglas no segundo turno. As tratativas junto a essas lideranças foi considerada prioridade número 1 em reunião da coordenação de campanha na sexta-feira passada. Ali também falaram que era preciso intensificar a articulação com o entorno de Augusto Cury (Avante). — Nós temos sido procurados mais do que você imagina, e muito procurados, tanto pela direita quanto pela esquerda — afirmou Cury na semana passada, durante entrevista a um podcast. PEC do fim da 6x1 Os aliados de Lula também colocavam as fichas na aprovação pelo Senado da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1 como principal trunfo eleitoral para a etapa final da disputa. Na sexta-feira, às vésperas do primeiro turno, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou a votação da PEC para a próxima terça-feira, num gesto ao petista. A expectativa era que somente o anúncio pudesse ter efeitos positivos a Lula nas urnas, o que não se concretizou. Agora, com o resultado do primeiro turno, há dúvidas entre integrantes da campanha sobre o ritmo que Alcolumbre deverá dar para a tramitação da proposta, já que o senador busca se reeleger na presidência da Casa e deverá fazer gestos à direita bolsonarista. O PL, de Flávio, elegeu a maior bancada neste domingo. A expectativa era que Lula conseguiria melhorar a avaliação do governo se entregar a redução de jornada de trabalho, uma das principais bandeiras exploradas na propaganda eleitoral até agora. Pesquisa da Quaest divulgada no fim de julho mostra que 69% da população apoia a medida. Para aliados, a principal dificuldade enfrentada pelo presidente nesta campanha é resultado do saldo negativo entre os que aprovam e os que reprovam a sua gestão. Além do fim da jornada, tema que se aprovado, deve ser ainda mais explorado no horário eleitoral e no discurso de Lula, a campanha do presidente acredita que pode melhorar nas pesquisas com o pagamento da primeira parcela do Bolsa Família com o reajuste de 15%. O benefício com o novo valor será pago a partir do dia 19 de outubro. O reajuste é visto como importante para ampliar o apoio a Lula na base da pirâmide social. O aumento do valor do benefício foi anunciado pelo presidente no último dia 17, dentro de um pacote de bondades eleitorais, que inclui também o fim das bets e a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS. As iniciativas começaram a ser anunciadas depois que pesquisa Quaest mostrou pela primeira vez Flávio numericamente à frente de Lula nas simulações de segundo turno. Governistas dizem que essas outras medidas ainda poderão trazer efeitos positivos a Lula na etapa final da eleição, já que a avaliação é que os efeitos delas ainda não foram totalmente percebidos pela população. A disputa deve se concentrar na região mais populosa do país, o Sudeste, e os três maiores estados, São Paulo, Rio e Minas, serão prioridade mais uma vez. Integrantes da coordenação apostam também na chegada de outros aliados políticos para integrar a equipe do petista que estavam, no primeiro momento, cuidando de da eleição em seus estados. São os casos dos ex-ministros Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Camilo Santana. Um integrante da campanha diz que a ideia, a partir de agora, é fazer atos que mobilizem a militância, como a feita na reta final do primeiro turno na Bahia, no Ceará e em São Paulo, e eventos voltados a determinados segmentos, como idosos e pequenos empreendedores